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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Entre o ainda escrever em meio às ruínas: escrevendo sobre o recomeçar no fim de ano

Em meio às áridas paragens de fim de ano, resolvi avançar na leitura e na escrita de uma série de pendências. Uma delas era ler o artigo: “Escrever o luto, hospedar a íntima ruína”. Escrito pela psicóloga Maria Luíza Moraes e pela ilustríssima Psicanalista e Profa. Dra. Suely Aires. Maria Luíza Moraes é a autora, me parece que a inconteste ideóloga desse texto, que é um recorte da pesquisa de mestrado que está prestes a concluir na Universidade Federal da Bahia, sob orientação de Suely. Ouvi falar do trabalho de Maria Luíza pela primeira vez em novembro, quando estive na sala de trabalhos em que ela participou no Congresso do Outrarte. Era meu desejo conseguir colocar em texto algumas questões sobre migração e pertencimento. Afinal é algo transitivo a minha escrita, de vários lugares, então, um tema que foi se tornando cada vez mais necessário. E, onde mais eu poderia me ver e me sentir visto do que em minhas próprias palavras. Acontece que ao me deparar com não apenas o trabalho, mas ...

Em uma análise: qual a queda que se busca interpretar?

AVISO: ESSE TEXTO FOI  APRESENTADO NA JORNADA DE ENCERRAMENTO DO FÓRUM EM FORMAÇÃO DO CAMPO LACANIANO NO INTERIOR PAULISTA, REALIZADO NOS DIAS 5 E 6 DE DEZEMBRO DE 2026, NA UNESP - CAMPUS BAURU (SP).   Preâmbulo  Estou em Ouro Preto, amanhece aos poucos desde que cheguei nessa cidade. O som urbano ainda parece não existir, apenas os animais se manifestam. Olho para o espelho do quarto e me volto para a apresentação que farei em Bauru, dia seis, me parece ser dia de Santa Luzia, Santa dos olhos, mas percebo que será dia de São Nicolau, então é isso, agora começam os adventos para o natal. Interrompo a digressão. O crítico brasileiro Luiz Nazário (2012) endossa a partir da elaboração da figura do surrealista e diretor de cinema Luis Buñuel – muito conhecido por toda a sua obra, mas da qual Nazário também marca “L’age d’or” (1930) como a sua entrada bombástica no cinema – que a arte surrealista são como bombas atômicas na tela de cinema, o que evoca dois fenômenos: o da imag...