Postagens

Fim do ser no fim do semestre: tempo e repetição

Imagem
(Salvador Dali – “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais” – 1973) O custo de um pensamento Esse texto não é apenas um respiro, é mais parecido com um exercício de respiração. Desde que se tenha em vista algo com o incômodo comparável a quase se afogar ao conseguir respirar enquanto se treina prender a respiração de baixo d'água. Como resultado, me parece que a parte mais interessante do texto está em percorrer justamente esses incômodos. Então, prezada interlocutora, fica o meu voto de que possa chegar até o final. Ponto de vista Nos últimos tempos percebi que seria necessário abrir mão de parte do tempo que dispunha a compromissos para criar melhores condições de pensamento. Claro que essa é uma posição arriscada nos tempos atuais: quem espontaneamente pensa ser bom abrir mão de algo? Mais ainda para uma atividade tantas vezes julgada, implicitamente, tão fútil quanto o pensar. Mas afinal, nessa so...

É frio escrever em Julho de 2025

"Levantei os olhos para ver quem falava. E apenas ouvi as vozes combaterem. E vi que era no Céu e na Terra. E disseram-me: Solombra"                                                      (Cecília Meireles) … e com isso segui. Seguindo: A vida é cheia de prazos ao mesmo tempo que nós mesmos sabemos que temos um, sem saber quando ele chega. O fim de um semestre não é o fim da vida, mas o fim da história acaba todo dia e o que fazemos ao fim? Onde deixamos o futuro? No fim do semestre ou no fim que damos ao dia? O tema da vida e da morte está presente na filosofia, nas religiões, na vida do trabalho, mas nos esquecemos constantemente deles. Somos forçados a esquecer? Esquecemos tanto que às vezes encontramos algo em sonhos, memórias escritas, em fotos, e até em lugares que paramos de procurar p...

Afinal, se não é tudo sobre sexo, é sobre o quê?

Imagem
  (A variation on sadness, 1957 - René Magritte)      Em meio a muitos pensamentos e reflexões é comum me voltar o velho incômodo de Magritte sobre a psicanálise: mas é tudo sobre sexo? Incômodo que ressoa na crítica de diversas figuras públicas, mais ou menos acadêmicas, mais ou menos conservadoras: vão das correntes políticas que assumem o ser humano como agente da transformação social até os mal informados, e dos mal intencionados, que recusam aceitar a proximidade da vida com o afeto, com o prazer e o desprazer. Então, o incômodo seria resistência ou ignorância? Calma…, não vamos por esse lado, vou tentar – para nós – abordar meu incômodo e não o das pessoas. E, não foi sem muito prazer neste semestre que encontrei um livro cujo o título me era completamente aprazível, como doces com limão ou álcool: “Alguma vez é só sexo?”, de Darian Leader. Título que me ganhou por me encontrar, tão simplesmente como por si mesmo. Naquela tarde em que descobrimos um ao outro er...

Leituras jan-jun (2025)

Olá, Essa é uma lista ainda que incompleta de leituras, das quais já pude dar algum tratamento e que se mostraram significativas, no percurso de estudos desse semestre jan-jun (2025): Teorias e práticas feministas/ teorias de gênero A necessidade de destaque desse grupo vem do debate acadêmico acerca da relação dos Direitos Sexuais com os Direitos Humanos, problema identificado em pesquisa anterior e por isso colocado antes mesmo da delimitação epistemológica de qual pensamento seria mais coerente para o diálogo da psicanálise com as teorias feministas e de gênero. Nesse sentido, essa categoria reforça o reconhecimento do elo entre sexualidade como predicado na definição de Direito como Propriedade inalienável do Sujeito (universal masculino), e sobretudo do Humano (universal genérico como homem). Abre-se a partir disso a necessidade de compreender que outras formas de escrita-de-si e do outro poderiam ser produzidas a partir da crítica jurídica à produção discursiva do sujeito. Amia S...

Poste inicial de memorandos

"Foucault assinalava: O leitor, como ouvinte de um curso, sabe perfeitamente reconhecer quando se trabalhou e quando se se contentou com o que se tem na cabeça" (dito pelo psicanalista Jean Allouch em edição traduzida de uma de suas conferências de 1998: "A psicanálise: uma erotologia de passagem" - p.119) Olá Interlocutora*, Após muito tempo, crio este espaço, ao qual também resisti por muito tempo. Talvez por me perceber encarnado em um sentimento quase televisivo: um funcionário se sente oprimido em uma empresa e acha que a solução para isso seria pedir um aumento ao chefe; quando, diante dele, se depara internamente com a pergunta "Por que você quer um aumento?" e, num misto de indignação consigo mesmo e com a questão, acaba desistindo por medo de não ter uma resposta convincente. Bom, pelo menos para mim, hoje tenho uma resposta: este espaço me parece uma forma bastante 'atual' de compartilhar reflexões sobre minhas pesquisas – todas atreladas...