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Amarrando aquilo que escapa ao ser a(r)mado

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     Há muitos problemas para pensar no amor. Primeiro porque é um tema clichê – todos falam sobre amor – por que todos amam? Provavelmente, mas… então, é clichê por que é comum? Mas, por exemplo, o amor que é algo comum é universal? Não necessariamente, amar é algo bem diferente de uma condição universal, seja por que se amam de diferentes maneiras, tantas quantas possíveis, seja porque realmente existem muitas práticas ligadas ao amar.    E, poderia haver algo de importante no amor que não seja sobre a sua incontável multiplicidade ou da sua singular importância na experiência humana?      Talvez, e só talvez, por isso pode ser mais do que sobre relações e sim sobre histórias. Talvez amar, seja algo maior do que a atividade que o indivíduo – ou nós mesmos – podemos enxergar, seja por que é aquilo que acontece entre , aquilo que foi vivido em conjunto ou até aquilo que tenta-se contar; talvez seja justamente no registro, ou no esforço dele, ...

Fim do ser no fim do semestre: tempo e repetição

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(Salvador Dali – “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais” – 1973) O custo de um pensamento Esse texto não é apenas um respiro, é mais parecido com um exercício de respiração. Desde que se tenha em vista algo com o incômodo comparável a quase se afogar ao conseguir respirar enquanto se treina prender a respiração de baixo d'água. Como resultado, me parece que a parte mais interessante do texto está em percorrer justamente esses incômodos. Então, prezada interlocutora, fica o meu voto de que possa chegar até o final. Ponto de vista Nos últimos tempos percebi que seria necessário abrir mão de parte do tempo que dispunha a compromissos para criar melhores condições de pensamento. Claro que essa é uma posição arriscada nos tempos atuais: quem espontaneamente pensa ser bom abrir mão de algo? Mais ainda para uma atividade tantas vezes julgada, implicitamente, tão fútil quanto o pensar. Mas afinal, nessa so...

É frio escrever em Julho de 2025

"Levantei os olhos para ver quem falava. E apenas ouvi as vozes combaterem. E vi que era no Céu e na Terra. E disseram-me: Solombra"                                                      (Cecília Meireles) … e com isso segui. Seguindo: A vida é cheia de prazos ao mesmo tempo que nós mesmos sabemos que temos um, sem saber quando ele chega. O fim de um semestre não é o fim da vida, mas o fim da história acaba todo dia e o que fazemos ao fim? Onde deixamos o futuro? No fim do semestre ou no fim que damos ao dia? O tema da vida e da morte está presente na filosofia, nas religiões, na vida do trabalho, mas nos esquecemos constantemente deles. Somos forçados a esquecer? Esquecemos tanto que às vezes encontramos algo em sonhos, memórias escritas, em fotos, e até em lugares que paramos de procurar p...

Afinal, se não é tudo sobre sexo, é sobre o quê?

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  (A variation on sadness, 1957 - René Magritte)      Em meio a muitos pensamentos e reflexões é comum me voltar o velho incômodo de Magritte sobre a psicanálise: mas é tudo sobre sexo? Incômodo que ressoa na crítica de diversas figuras públicas, mais ou menos acadêmicas, mais ou menos conservadoras: vão das correntes políticas que assumem o ser humano como agente da transformação social até os mal informados, e dos mal intencionados, que recusam aceitar a proximidade da vida com o afeto, com o prazer e o desprazer. Então, o incômodo seria resistência ou ignorância? Calma…, não vamos por esse lado, vou tentar – para nós – abordar meu incômodo e não o das pessoas. E, não foi sem muito prazer neste semestre que encontrei um livro cujo o título me era completamente aprazível, como doces com limão ou álcool: “Alguma vez é só sexo?”, de Darian Leader. Título que me ganhou por me encontrar, tão simplesmente como por si mesmo. Naquela tarde em que descobrimos um ao outro er...

Leituras jan-jun (2025)

Olá, Essa é uma lista ainda que incompleta de leituras, das quais já pude dar algum tratamento e que se mostraram significativas, no percurso de estudos desse semestre jan-jun (2025): Teorias e práticas feministas/ teorias de gênero A necessidade de destaque desse grupo vem do debate acadêmico acerca da relação dos Direitos Sexuais com os Direitos Humanos, problema identificado em pesquisa anterior e por isso colocado antes mesmo da delimitação epistemológica de qual pensamento seria mais coerente para o diálogo da psicanálise com as teorias feministas e de gênero. Nesse sentido, essa categoria reforça o reconhecimento do elo entre sexualidade como predicado na definição de Direito como Propriedade inalienável do Sujeito (universal masculino), e sobretudo do Humano (universal genérico como homem). Abre-se a partir disso a necessidade de compreender que outras formas de escrita-de-si e do outro poderiam ser produzidas a partir da crítica jurídica à produção discursiva do sujeito. Amia S...

Poste inicial de memorandos

"Foucault assinalava: O leitor, como ouvinte de um curso, sabe perfeitamente reconhecer quando se trabalhou e quando se se contentou com o que se tem na cabeça" (dito pelo psicanalista Jean Allouch em edição traduzida de uma de suas conferências de 1998: "A psicanálise: uma erotologia de passagem" - p.119) Olá Interlocutora*, Após muito tempo, crio este espaço, ao qual também resisti por muito tempo. Talvez por me perceber encarnado em um sentimento quase televisivo: um funcionário se sente oprimido em uma empresa e acha que a solução para isso seria pedir um aumento ao chefe; quando, diante dele, se depara internamente com a pergunta "Por que você quer um aumento?" e, num misto de indignação consigo mesmo e com a questão, acaba desistindo por medo de não ter uma resposta convincente. Bom, pelo menos para mim, hoje tenho uma resposta: este espaço me parece uma forma bastante 'atual' de compartilhar reflexões sobre minhas pesquisas – todas atreladas...